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 INFORMAÇÕES DO MEDICAMENTO


PERAMPANEL


Para que serve o Perampanel

Este medicamento é indicado para o tratamento adjuvante de crises epiléticas parciais, com ou sem generalização secundária, em doentes adultos e adolescentes, com 12 anos de idade ou mais, com epilepsia.

Este medicamento também é indicado para o tratamento adjuvante de convulsões tónico-clónicas generalizadas primárias em doentes adultos e adolescentes, com 12 anos de idade ou mais, com epilepsia idiopática generalizada

Contraindicação do Perampanel

Hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes.

Como usar o Perampanel

Adultos e adolescentes

Este medicamento deve ser titulado de acordo com a resposta individual do doente, para otimizar o equilíbrio entre eficácia e tolerabilidade.
O perampanel deve ser tomado por via oral uma vez por dia ao deitar.

Crises epiléticas parciais

O perampanel, em doses de 4 mg/dia a 12 mg/dia, demonstrou ser uma terapêutica eficaz em crises epiléticas parciais.

O tratamento com este medicamento deve ser iniciado com uma dose de 2 mg/dia. A dose pode ser aumentada com base na resposta clínica e tolerabilidade em incrementos de 2 mg (quer semanalmente, quer de 2 em 2 semanas, tendo em conta as considerações sobre a semivida descritas a seguir) para uma dose de manutenção de 4 mg/dia até 8 mg/dia. Dependendo da resposta clínica individual e da tolerância a uma dose de 8 mg/dia, a dose pode ser aumentada em incrementos de 2 mg/dia até 12 mg/dia. Os doentes a tomarem medicação concomitante que não encurte a semivida do perampanel devem ter, pelo menos, 2 semanas de intervalo entre titulações. Os doentes a tomar medicação concomitante que encurte a semivida do perampanel devem ter, pelo menos, 1 semana de intervalo entre titulações.

Convulsões tónico-clónicas generalizadas primárias

O perampanel numa dose de até 8 mg/dia demonstrou ser eficaz nas convulsões tónico-clónicas generalizadas primárias.
O tratamento com este medicamento deve ser iniciado com uma dose de 2 mg/dia. A dose pode ser aumentada com base na resposta clínica e tolerabilidade em incrementos de 2 mg (quer semanalmente, quer de 2 em 2 semanas, tendo em conta as considerações sobre a semivida descritas a seguir) até se atingir uma dose de manutenção de 8 mg/dia. Conforme a resposta clínica individual e a tolerabilidade com uma dose de 8 mg/dia, a dose pode ser aumentada até 12 mg/dia, o que poderá ser eficaz em alguns doentes. Os doentes que estejam a tomar concomitantemente medicamentos que não encurtam a semivida do perampanel não devem ser titulados com uma frequência superior a intervalos de 2 semanas. Os doentes que estejam a tomar concomitantemente medicamentos que encurtam a semivida do perampanel não devem ser titulados com uma frequência superior a intervalos de 1 semana.

Descontinuação

Recomenda-se que a descontinuação seja efetuada gradualmente de modo a minimizar o potencial de recorrência de convulsões. Contudo, devido à sua semivida longa e subsequente declínio lento das concentrações plasmáticas, o perampanel pode ser descontinuado abruptamente caso seja absolutamente necessário.

Doses esquecidas

Uma dose esquecida: como o perampanel tem uma semivida prolongada, o doente deve aguardar e tomar a dose seguinte no esquema habitual.

No caso de esquecimento de mais de 1 dose, durante um período contínuo inferior a 5 semividas (3 semanas em doentes que não tomam antiepiléticos indutores do metabolismo de perampanel, 1 semana em doentes que tomam antiepiléticos indutores do metabolismo de perampanel), deverá considerar-se reiniciar-se o tratamento a partir do último nível de dose.

Se um doente interrompeu o perampanel durante um período contínuo de mais de 5 semividas, aconselha-se a que sejam seguidas as recomendações da posologia inicial acima mencionadas.

Idosos (com idade igual ou superior a 65 anos)

Os estudos clínicos deste medicamento na epilepsia não incluíram o número suficiente de indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos para determinar se respondem de maneira diferente dos indivíduos mais jovens. A análise da informação de segurança em 905 indivíduos idosos tratados com perampanel (em estudos com dupla ocultação em indicações diferentes de epilepsia) não revelou diferenças no perfil de segurança relacionadas com a idade. Além da ausência de diferenças relacionadas com a idade na exposição ao perampanel, os resultados indicam que não é necessário ajuste posológico nos idosos. O perampanel deve ser utilizado com precaução em idosos tendo em conta o potencial de interações medicamentosas em doentes polimedicados.

Compromisso da função renal

Não são necessários ajustes posológicos em doentes com compromisso ligeiro da função renal. A utilização não é recomendada em doentes com compromisso moderado ou grave da função renal ou em doentes submetidos a hemodiálise.

Compromisso da função hepática

Os aumentos da dose em doentes com compromisso ligeiro ou moderado da função hepática devem basear-se na resposta clínica e na tolerabilidade. Em doentes com compromisso ligeiro ou moderado da função hepática, a dose pode ser iniciada com 2 mg. A dose dos doentes deve ser aumentada gradualmente em doses de 2 mg em intervalos não inferiores a 2 semanas com base na tolerabilidade e eficácia.

A posologia do perampanel em doentes com compromisso ligeiro a moderado não deve exceder 8 mg. A utilização não é recomendada em doentes com compromisso grave da função hepática.

População pediátrica

A segurança e eficácia de perampanel em crianças com menos de 12 anos não foram ainda estabelecidas. Não existem dados disponíveis.

Modo de administração

Este medicamento deve ser tomado numa dose oral única ao deitar. Pode ser tomado com ou sem alimentos. O comprimido deve ser engolido inteiro com um copo de água. Os comprimidos não devem ser mastigados, esmagados ou divididos. Os comprimidos não podem ser divididos com precisão visto que não existe uma ranhura.

Reações Adversas do Perampanel

Resumo do perfil de segurança

Em todos os ensaios controlados e não controlados em doentes com crises epiléticas parciais,
1.639 doentes foram medicados com perampanel dos quais foram tratados 1.147 durante 6 meses e 703 durante mais de 12 meses.

No ensaio controlado e não controlado em doentes com convulsões tónico-clónicas generalizadas primárias, 114 doentes receberam perampanel, dos quais 68 foram tratados durante 6 meses e 36 durante mais de 12 meses.

Reações adversas que levaram à descontinuação:

Nos ensaios clínicos controlados de Fase 3 de crises epiléticas parciais, a taxa de descontinuação em consequência de uma reação adversa foi de 1,7%, 4,2% e 13,7% em doentes aleatorizados para receberem perampanel, respetivamente, nas doses recomendadas de 4 mg, 8 mg e 12 mg/dia, e de 1,4% em doentes aleatorizados para receberem placebo. As reações adversas que mais frequentemente (≥1% do total de doentes do grupo de perampanel e superior ao placebo) causaram descontinuação foram tonturas e sonolência.

No ensaio clínico controlado de Fase 3 de convulsões tónico-clónicas generalizadas primárias, a taxa de descontinuação como resultado de uma reação adversa foi de 4,9% em doentes aleatorizados para receberem 8 mg de perampanel e 1,2% em doentes aleatorizados para receberem placebo. A reação adversa que levou mais frequentemente a descontinuação (≥2% no grupo do perampanel e superior ao placebo) foi tonturas.

Lista tabelada de reações adversas

Na tabela seguinte, as reações adversas, que foram identificadas com base na revisão da base de dados de segurança de todos os estudos clínicos com este medicamento, estão indicadas por Classe de Sistema de Órgãos e frequência. Foi utilizada a seguinte convenção para a classificação das reações adversas: muito frequentes (≥ 1/10), frequentes (≥ 1/100, < 1/10), pouco frequentes (≥ 1/1.000, < 1/100).

As reações adversas são apresentadas por ordem decrescente de gravidade dentro de cada classe de frequência.

Classe de sistemas de órgãos

Muito frequentes

Frequentes

Pouco frequentes

Doenças do metabolismo e da nutrição

 

Diminuição do apetite Aumento do apetite

 

Perturbações do foro psiquiátrico

 

Agressão
Cólera
Ansiedade
Estado confusional

Ideação suicida Tentativa de suicídio

Doenças do sistema nervoso

Tonturas Sonolência

Ataxia Disartria Perturbação do equilíbrio Irritabilidade

 

Afeções oculares

 

Diplopia
Visão desfocada

 

Afeções do ouvido e do labirinto

 

Vertigens

 

Doenças gastrointestinais

 

Náuseas

 

Afeções musculosqueléticas e dos tecidos conjuntivos

 

Lombalgia

 

Perturbações gerais

 

Perturbação da marcha
Fadiga

 

Exames complementares de diagnóstico

 

Aumento de peso

 

Complicações de intervenções relacionadas com lesões e intoxicações

 

Queda

 

 

População pediátrica

Tendo como fundamento a base de dados dos ensaios clínicos de 196 adolescentes expostos ao perampanel em estudos em dupla ocultação em crises epiléticas parciais e convulsões tónico-clónicas generalizadas primárias, o perfil global de segurança em adolescentes foi semelhante ao dos adultos, com exceção da agressão, a qual foi observada com mais frequência nos adolescentes do que nos adultos.

Notificação de suspeitas de reações adversas

A notificação de suspeitas de reações adversas após a autorização do medicamento é importante, uma vez que permite uma monitorização contínua da relação benefício-risco do medicamento. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas através do sistema nacional de notificação.

Interação Medicamentosa do Perampanel

Este medicamento não é considerado um indutor ou inibidor potente das enzimas do citocromo P450 ou da UGT.

Contracetivos orais

Em mulheres saudáveis medicadas com 12 mg (mas não 4 ou 8 mg/dia) durante 21 dias concomitantemente com um contracetivo oral combinado, este medicamento demonstrou diminuir a exposição ao levonorgestrel (valores médios da Cmax e da AUC diminuíram ambos em 40%). A AUC do etinilestradiol não foi afetada por este medicamento na dose de 12 mg e a Cmax diminuiu 18%. Por conseguinte, deve ter-se em consideração a possibilidade de diminuição da eficácia dos contracetivos orais contendo progestativos em mulheres que necessitam deste medicamento na dose de 12 mg/dia, e deve utilizar-se um método fiável adicional (dispositivo intra-uterino [DIU], preservativo).

Interações entre este medicamento e outros medicamentos antiepiléticos:

As interações potenciais entre este medicamento (até 12 mg uma vez por dia) e outros medicamentos antiepiléticos foram analisadas em estudos clínicos e avaliadas na análise farmacocinética populacional de quatro estudos agrupados de Fase 3, incluindo doentes com crises epiléticas parciais e convulsões tónico-clónicas generalizadas primárias. O efeito destas interações na concentração média no estado de equilíbrio está resumido na tabela seguinte.

Antiepilético coadministrado

Influência do antiepilético na concentração deste medicamento

Influência deste medicamento na concentração do antiepilético

Carbamazepina

Diminuição de 2,75 vezes

Diminuição <10%

Clobazam

Sem influência

Diminuição <10%

Clonazepam

Sem influência

Sem influência

Lamotrigina

Sem influência

Diminuição <10%

Levetiracetam

Sem influência

Sem influência

Oxcarbazepina

Diminuição de 1,9 vezes

Aumento de 35% 1)

Fenobarbital

Sem influência

Sem influência

Fenitoína

Diminuição de 1,7 vezes

Sem influência

Topiramato

Diminuição de 19%

Sem influência

Ácido valpróico

Sem influência

Diminuição <10%

Zonisamida

Sem influência

Sem influência

1) O metabolito ativo mono-hidroxicarbazepina não foi estudado.

Demonstrou-se que alguns medicamentos antiepiléticos conhecidos como indutores enzimáticos (carbamazepina, fenitoína, oxcarbazepina) aumentam a depuração do perampanel e, consequentemente, diminuem as concentrações plasmáticas do mesmo.

A carbamazepina, um conhecido indutor enzimático potente, causou uma diminuição de dois terços dos níveis de perampanel, num estudo realizado em indivíduos saudáveis.

Observou-se um resultado semelhante numa análise farmacocinética populacional de doentes com crises epiléticas parciais medicados com perampanel até 12 mg/dia e doentes com convulsões tónico-clónicas generalizadas primárias medicados com perampanel até 8 mg/dia em ensaios clínicos controlados com placebo. A depuração total deste medicamento aumentou quando foi administrado com carbamazepina

(2,75 vezes), fenitoína (1,7 vezes) e oxcarbazepina (1,9 vezes), que são indutores conhecidos das enzimas do metabolismo. Este efeito deve ser tido em consideração e deve ser controlado quando se adicionam ou interrompem estes antiepiléticos no regime terapêutico de um doente.

Numa análise farmacocinética populacional de doentes com crises epiléticas parciais medicados com este medicamento até 12 mg/dia em ensaios clínicos controlados com placebo, este medicamento não afetou a depuração do clonazepam, levetiracetam, fenobarbital, fenitoína, topiramato, zonisamida, carbamazepina, clobazam, lamotrigina e ácido valpróico de maneira clinicamente relevante com a dose mais elevada de perampanel avaliada (12 mg/dia).

Na análise farmacocinética da população com epilepsia, verificou-se que o perampanel diminuiu a depuração da oxcarbazepina em 26%. A oxcarbazepina é rapidamente metabolizada pela enzima citosólica redutase originando o metabolito ativo, a mono-hidroxicarbazepina. Desconhece-se qual o efeito do perampanel nas concentrações da mono-hidroxicarbazepina.

O perampanel é administrado até obtenção do efeito clínico independentemente de outros antiepiléticos.

Efeito do perampanel nos substratos das CYP3A

Em indivíduos saudáveis, este medicamento (6 mg uma vez por dia durante 20 dias) diminuiu a AUC do midazolam em 13%. Não é de excluir uma diminuição mais pronunciada na exposição do midazolam (ou outros substratos sensíveis das CYP3A) para doses mais elevadas deste medicamento.

Efeito de indutores do citocromo P450 na farmacocinética do perampanel

Prevê-se que indutores potentes do citocromo P450, como a rifampicina e o hipericão, diminuam as concentrações de perampanel e não se excluiu o potencial para concentrações plasmáticas mais elevadas dos metabolitos reativos na sua presença. Demonstrou-se que o felbamato diminui as concentrações de alguns medicamentos e que também pode diminuir as concentrações do perampanel.

Efeito de inibidores do citocromo P450 na farmacocinética do perampanel

Em voluntários saudáveis, o inibidor do CYP3A4 cetoconazol (400 mg uma vez ao dia durante 10 dias) aumentou a AUC do perampanel em 20% e prolongou a semivida do perampanel em 15%
(67,8 h vs. 58,4 h). Não são de excluir efeitos maiores quando o perampanel é combinado com um inibidor do CYP3A com uma semivida mais longa que o cetoconazol ou quando o inibidor é administrado em tratamentos mais prolongados.

Levodopa

Em indivíduos saudáveis, este medicamento (4 mg uma vez por dia durante 19 dias) não teve qualquer efeito sobre Cmax ou a AUC de levodopa.

Álcool

Os efeitos do perampanel sobre tarefas que envolvem o estado de alerta e vigilância tal como a capacidade de conduzir, foram aditivos ou supra-aditivos aos efeitos do próprio álcool, como se verificou num estudo de interação farmacodinâmica em indivíduos saudáveis. A administração repetida de 12 mg/dia de perampanel aumentou os níveis de cólera, confusão e depressão, de acordo com a avaliação efetuada utilizando a escala de classificação do Perfil de Estados de Humor (Profile of Mood State) de 5 pontos. Estes efeitos também podem ser observados quando este medicamento é utilizado em associação com outros depressores do sistema nervoso central (SNC).

População pediátrica

Os estudos de interação só foram realizados em adultos.

Num estudo farmacocinético populacional dos doentes adolescentes dos estudos clínicos de Fase 3, não se observaram diferenças dignas de nota entre esta população e a população global.

 

Precauções do Perampanel

Ideação suicida

Foram notificados casos de ideação e comportamentos suicidas em doentes tratados com medicamentos antiepiléticos em diversas indicações. Uma meta-análise de ensaios aleatorizados controlados com placebo de medicamentos antiepiléticos revelou também um pequeno aumento do risco de ideação e comportamentos suicidas. O mecanismo deste risco não é conhecido e os dados disponíveis não excluem a possibilidade de um risco acrescido com o perampanel.

Por conseguinte, os doentes devem ser monitorizados para deteção de sinais de ideação e comportamentos suicidas, devendo ser considerado o tratamento apropriado. Os doentes (e os prestadores de cuidados dos doentes) devem ser aconselhados a consultar um médico caso surjam sinais de ideação ou comportamentos suicidas.

Doenças do sistema nervoso

O perampanel pode causar tonturas e sonolência e, consequentemente, pode influenciar a capacidade de conduzir ou de utilizar máquinas.

Contracetivos orais

Em doses de 12 mg/dia, este medicamento pode diminuir a eficácia de contracetivos hormonais contendo progestativos; nestas circunstâncias, recomendam-se outras formas não hormonais de contraceção durante a utilização deste medicamento.

Quedas

Parece haver um risco acrescido de quedas, especialmente nos idosos; a razão subjacente não é clara.

Agressão

Foram notificados casos de comportamento agressivo e hostil em doentes a receber terapêutica com perampanel. Em ensaios clínicos, em doentes tratados com perampanel, foram notificados casos de agressão, cólera e irritabilidade, com maior frequência nas doses mais elevadas. A maioria dos acontecimentos notificados foram ligeiros ou moderados e os doentes recuperaram espontaneamente ou com o ajuste da dose. No entanto, observou-se que alguns doentes tinham pensamentos de causar lesão a terceiros, de agressão física ou apresentavam um comportamento ameaçador (<1% nos ensaios clínicos com perampanel). Os doentes e os prestadores de cuidados devem ser aconselhados a alertar imediatamente um profissional de saúde caso se observem alterações significativas no humor ou nos padrões de comportamento. Caso venham a ocorrer estes sintomas, a posologia de perampanel deve ser reduzida e deve ser imediatamente interrompida se os sintomas forem graves.

Abuso potencial

Devem tomar-se precauções em doentes com antecedentes de abuso de substâncias e o doente deve ser monitorizado quanto a sintomas de abuso de perampanel.

Medicamentos antiepiléticos indutores das CYP3A concomitantes

As taxas de resposta após adição de perampanel em doses fixas foram menores quando os doentes receberam concomitantemente medicamentos antiepiléticos indutores das CYP3A (carbamazepina, fenitoína, oxcarbazepina) em comparação com as taxas de resposta em doentes que receberam concomitantemente medicamentos antiepiléticos não indutores enzimáticos. A resposta dos doentes deve ser monitorizada quando estes mudam de medicamentos antiepiléticos não indutores para medicamentos antiepiléticos indutores enzimáticos e vice-versa. Dependendo da resposta clínica individual e da tolerabilidade, a dose pode ser aumentada ou diminuída 2 mg de cada vez.

Outros medicamentos indutores ou inibidores do citocromo P450 (não antiepiléticos) concomitantes

Os doentes devem ser frequentemente monitorizados quanto à tolerabilidade e resposta clínica quando se adicionam ou retiram indutores ou inibidores do citocromo P450, porque os níveis plasmáticos de perampanel podem diminuir ou aumentar; a dose de perampanel pode necessitar de ser devidamente ajustada.

Este medicamento contém lactose, portanto, doentes com problemas hereditários raros de intolerância à galactose, deficiência de lactase de Lapp ou malabsorção de glucose-galactose não devem tomar este medicamento.

Fertilidade, gravidez e aleitamento

Mulheres com potencial para engravidar e contraceção masculina e feminina

Este medicamento não é recomendado em mulheres com potencial para engravidar que não utilizem métodos contracetivos a menos que claramente necessário.

Gravidez

A quantidade de dados sobre a utilização de perampanel em mulheres grávidas é limitada (menos de 300 gravidezes expostas). Os estudos em animais não indicaram quaisquer efeitos teratogénicos em ratos ou coelhos, mas observou-se embriotoxicidade em ratos em doses tóxicas maternas. Este medicamento não é recomendado durante a gravidez.

Amamentação

Estudos em ratas lactantes revelaram excreção de perampanel e/ou dos seus metabolitos no leite. Não se sabe se o perampanel é excretado no leite humano. Não pode ser excluído qualquer risco para os recém-nascidos/lactentes. Tem de ser tomada uma decisão sobre a descontinuação da amamentação ou a descontinuação/abstenção da terapêutica com este medicamento tendo em conta o benefício da amamentação para a criança e o benefício da terapêutica para a mulher.

Fertilidade

No estudo de fertilidade em ratos, observaram-se ciclos estrais prolongados e irregulares na dose elevada (30 mg/kg) em fêmeas; contudo, estas alterações não afetaram a fertilidade e o desenvolvimento embrionário inicial. Não se observaram quaisquer efeitos sobre a fertilidade dos machos. O efeito do perampanel sobre a fertilidade humana não foi estabelecido.

Efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas

Os efeitos deste medicamento sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas são moderados.
O perampanel pode causar tonturas e sonolência e, consequentemente, pode influenciar a capacidade de conduzir ou de utilizar máquinas. Os doentes são aconselhados a não conduzir um veículo, utilizar máquinas complexas ou efetuar outras atividades potencialmente perigosas até saberem se o perampanel afeta a sua capacidade para efetuar estas tarefas.

Ação do Perampanel

Propriedades farmacodinâmicas

Grupo farmacoterapêutico: antiepiléticos, outros antiepiléticos, Código ATC: N03AX22

Mecanismo de ação

O perampanel é o primeiro da classe de antagonistas seletivos, não competitivos do recetor ionotrópico do ácido α-amino-3-hidroxi-5-metil-4-isoxazolepropiónico (AMPA) do glutamato em neurónios pós- sinápticos. O glutamato é o principal neurotransmissor excitatório do sistema nervoso central e está implicado em várias afeções neurológicas causadas por sobre-excitação neuronal. Pensa-se que a ativação dos recetores do AMPA pelo glutamato é responsável por uma transmissão sináptica excitatória mais rápida no cérebro. Em estudos in vitro, o perampanel não competiu com o AMPA pela ligação aos recetores do AMPA, mas a ligação do perampanel foi deslocada pelos antagonistas não competitivos destes recetores, indicando que o perampanel é um antagonista não competitivo dos recetores do AMPA. In vitro, o perampanel inibiu o aumento induzido pelo AMPA do cálcio intracelular [mas não o aumento induzido pelo ácido N-metil-D-aspártico (NMDA)]. In vivo, o perampanel prolongou significativamente a latência de crises num modelo de crises epiléticas induzidas pelo AMPA.

O mecanismo preciso pelo qual o perampanel exerce os seus efeitos antiepiléticos no ser humano ainda não foi completamente esclarecido.

Efeitos farmacodinâmicos

Uma análise farmacocinética-farmacodinâmica (eficácia) foi realizada com base em dados agrupados de 3 ensaios de eficácia em crises epiléticas parciais. Para além disso, foi efetuada uma análise farmacocinética-farmacodinâmica (eficácia) num ensaio de eficácia para as convulsões tónico-clónicas generalizadas primárias. Em ambas as análises, a exposição ao perampanel está correlacionada com a diminuição da frequência de crises.

Desempenho psicomotor

Doses únicas e múltiplas de 8 mg e 12 mg alteraram o desempenho psicomotor em voluntários saudáveis de maneira relacionada com a dose. Os efeitos do perampanel sobre tarefas complexas como a capacidade de conduzir foram aditivos ou supra-aditivos aos efeitos perturbadores do álcool. Os testes do desempenho psicomotor voltaram aos valores iniciais ao fim de 2 semanas após a cessação da administração de perampanel.

Função cognitiva

Num estudo em voluntários saudáveis para avaliar os efeitos do perampanel na atenção e memória utilizando uma bateria padrão de avaliações, não se detetaram quaisquer efeitos do perampanel após doses únicas e múltiplas até 12 mg/dia.

Num estudo controlado com placebo conduzido em doentes adolescentes, não foram observadas alterações cognitivas significativas em relação ao placebo, conforme medido pela pontuação global da cognição do sistema de investigação de fármacos cognitivos (Cognitive Drug Research [CDR] System Global Cognition Score) para o perampanel. Na extensão sem ocultação, não foram observadas alterações significativas na pontuação global do sistema CDR após 52 semanas de tratamento com perampanel.

Atenção e humor

Os níveis de atenção (despertar) diminuíram de maneira relacionada com a dose em indivíduos saudáveis aos quais se administraram doses de perampanel entre 4 e 12 mg/dia. O humor deteriorou-se apenas após a administração da dose de 12 mg/dia; as alterações do humor foram pequenas e refletiram uma diminuição geral da atenção. A administração repetida de 12 mg/dia de perampanel também aumentou os efeitos do álcool sobre a vigilância e a atenção e aumentou os níveis de cólera, confusão e depressão de acordo com a avaliação utilizando a escala de classificação do Perfil de Estados de Humor de 5 pontos.

Eletrofisiologia cardíaca

O perampanel não prolongou o intervalo QTc quando administrado em doses diárias até 12 mg/dia e não teve um efeito relacionado com a dose ou clinicamente importante sobre a duração do QRS.

Eficácia e segurança clínicas

Crises epiléticas parciais

A eficácia de perampanel em crises epiléticas parciais foi estabelecida em três ensaios multicêntricos, controlados com placebo, com dupla ocultação, aleatorizados, de 19 semanas, da terapêutica adjuvante em doentes adultos e adolescentes. Os indivíduos tinham crises epiléticas parciais com ou sem generalização secundária e não estavam adequadamente controlados com a administração concomitante de um a três antiepiléticos. Durante um período inicial de 6 semanas, era necessário que os indivíduos tivessem mais do que cinco crises sem um período livre de crises superior a 25 dias. Nestes três ensaios, os indivíduos tiveram uma duração média de epilepsia de aproximadamente 21,06 anos. Entre 85,3% e 89,1% dos doentes estavam a tomar concomitantemente dois a três antiepiléticos, com ou sem estimulação simultânea do nervo vago.

Dois estudos (estudos 304 e 305) compararam as doses de 8 mg/dia e de 12 mg/dia de perampanel com placebo e o terceiro estudo (estudo 306) comparou as doses de 2, 4 e 8 mg/dia de perampanel com placebo. Nos três ensaios, após uma Fase Inicial de 6 semanas para estabelecer a frequência de crises no início antes da aleatorização, os indivíduos foram aleatorizados e titulados para a dose aleatorizada. Durante a Fase de Titulação nos três ensaios, o tratamento foi iniciado na dose de 2 mg/dia que foi aumentada em incrementos semanais de 2 mg/dia até à dose desejada. Os indivíduos que tinham acontecimentos adversos intoleráveis podiam permanecer na mesma dose ou numa dose que era diminuída para a dose anteriormente tolerada. Nos três ensaios, a Fase de Titulação foi seguida de uma Fase de Manutenção que durou 13 semanas, durante a qual os doentes foram mantidos numa dose estável de perampanel.

As taxas agrupadas de respondedores de 50% foram placebo 19%, 4 mg 29%, 8 mg 35% e 12 mg 35%. Observou-se um efeito estatisticamente significativo na diminuição da frequência de crises convulsivas em 28 dias (desde o Início até à Fase de tratamento) com o tratamento com perampanel nas doses de
4 mg/dia (Estudo 306), 8 mg/dia (Estudos 304, 305 e 306) e 12 mg/dia (Estudos 304 e 305) em comparação com o grupo do placebo. As taxas de respondedores de 50% nos grupos de 4 mg, 8 mg e 12 mg foram respetivamente de 23,0%, 31,5% e 30,0% em associação com medicamentos antiepiléticos indutores enzimáticos e foram de 33,3%, 46,5% e 50,0% quando o perampanel foi administrado em associação com medicamentos antiepiléticos não indutores enzimáticos. Estes estudos indicam que a administração uma vez por dia de perampanel nas doses de 4 mg a 12 mg foi significativamente mais eficaz do que o placebo como tratamento adjuvante nesta população.

Os dados de estudos controlados com placebo demonstram que se observa uma melhoria no controlo das crises epiléticas, com uma dose de 4 mg de perampanel uma vez por dia e que este benefício é intensificado com o aumento da dose para 8 mg/dia. Não se observou um benefício da eficácia na dose de 12 mg em comparação com a dose de 8 mg na população global. Observou-se benefício na dose de 12 mg em alguns doentes que toleraram a dose de 8 mg e quando a resposta clínica a esta dose foi insuficiente. Obteve-se uma diminuição clinicamente significativa da frequência de crises epiléticas relativamente ao placebo logo na segunda semana de administração quando os doentes atingiram a dose diária de 4 mg.

1,7 a 5,8% dos doentes a fazerem perampanel nos estudos clínicos ficaram livres de convulsões durante o período de manutenção de 3 meses em comparação com 0% – 1,0% a fazerem placebo. Não existem dados relativamente aos efeitos da interrupção de medicamentos antiepiléticos concomitantes para se efetuar a monoterapia com perampanel.

Estudo de prolongamento aberto

Noventa e sete por cento dos doentes que completaram os ensaios aleatorizados em doentes com crises epiléticas parciais foram incluídos no estudo de prolongamento aberto (n=1186). Os doentes do ensaio aleatorizado passaram para perampanel durante 16 semanas, às quais se seguiu um período de manutenção prolongado (≥1 ano). A dose diária média foi em média de 10,05 mg.

Convulsões tónico-clónicas generalizadas primárias

O perampanel foi estabelecido como terapêutica adjuvante em doentes com 12 anos de idade ou mais com epilepsia idiopática generalizada, com convulsões tónico-clónicas generalizadas primárias, num estudo multicêntrico, aleatorizado, em dupla ocultação, controlado com placebo (Estudo 332). Foram aleatorizados doentes elegíveis a fazerem uma dose estável com 1 a 3 antiepiléticos, com pelo menos
3 convulsões tónico-clónicas generalizadas primárias durante o período inicial de 8 semanas para receberem perampanel ou placebo. A população incluíu 164 doentes (perampanel N=82, placebo N=82). Os doentes foram titulados durante quatro semanas até atingirem uma dose alvo de 8 mg por dia ou a dose mais elevada tolerada e foram tratados durante mais 13 semanas com o último nível de dose atingido no final do período de titulação. O período de tratamento total foi de 17 semanas. O fármaco em estudo foi administrado uma vez por dia.

A taxa de resposta de 50% para as convulsões tónico-clónicas generalizadas primárias durante o período de manutenção foi significativamente mais elevada no grupo do perampanel (58,0%) do que no grupo do placebo (35,8%), P=0,0059. A taxa de resposta de 50% foi de 22,2% em combinação com os medicamentos antiepiléticos indutores enzimáticos e foi de 69,4% quando o perampanel foi administrado em combinação com medicamentos antiepiléticos não indutores enzimáticos. O número de doentes a fazerem perampanel e a tomarem medicamentos antiepiléticos indutores enzimáticos foi pequeno (n = 9). A alteração percentual mediana na frequência de convulsões tónico-clónicas generalizadas primárias por 28 dias durante os períodos de titulação e de manutenção (combinados) em relação à pré-aleatorização foi maior com perampanel (-76,5%) do que com o placebo (-38,4%), P<0,0001. Durante o período de manutenção de 3 meses, 30,9% (25/81) dos doentes a fazerem perampanel nos estudos clínicos ficaram livres de convulsões tónico-clónicas generalizadas primárias em comparação com 12,3% (10/81) a fazerem placebo.

Outros subtipos de crises epiléticas idiopáticas generalizadas

A eficácia e segurança do perampanel não foram estabelecidas em doentes com crises mioclónicas. Os dados disponíveis são insuficientes para se tirarem quaisquer conclusões.
A eficácia do perampanel no tratamento de crises de ausência não foi demonstrada.
No estudo 332, em doentes com convulsões tónico-clónicas generalizadas primárias que tiveram também crises mioclónicas concomitantes, atingiu-se ausência de crises epiléticas em 16,7% (4/24) dos doentes a fazerem perampanel em comparação com 13,0% (3/23) a fazerem placebo. Nos doentes com crises de ausência concomitantes, atingiu-se ausência de crises epiléticas em 22,2% (6/27) dos doentes a fazerem perampanel em comparação com 12,1% (4/33) a fazerem placebo. Atingiu-se ausência de todas as crises epiléticas em 23,5% (19/81) dos doentes a fazerem perampanel em comparação com 4,9% (4/81) dos doentes a fazerem placebo.

Fase de prolongamento aberto

Dos 140 doentes que completaram o estudo 332, 114 doentes (81,4%) tinham entrado na fase de prolongamento. Os doentes do ensaio aleatorizado fizeram a passagem para o perampanel ao longo de
6 semanas seguidas de um período de manutenção a longo prazo (≥ 1 ano). Na fase de prolongamento, 73,7% dos doentes tiveram uma dose diária modal de perampanel superior a 4 a 8 mg/dia e 16,7% tiveram uma dose diária modal superior a 8 a 12 mg/dia. Observou-se uma diminuição na frequência de convulsões tónico-clónicas generalizadas primárias de pelo menos 50% em 65,9% dos doentes após
1 ano de tratamento durante a fase de prolongamento (em relação à sua frequência de convulsões inicial pré-perampanel). Estes dados foram consistentes com aqueles correspondentes às alterações percentuais na frequência de convulsões e mostraram que a taxa de resposta de 50% para as convulsões tónico- clónicas generalizadas primárias foi geralmente estável ao longo do tempo desde por volta da semana 26 até ao fim do ano 2. Foram observados resultados semelhantes quando todas as convulsões e ausência versus convulsões mioclónicas foram avaliadas ao longo do tempo.

Conversão para monoterapia

Não existem dados relativamente aos efeitos da interrupção de medicamentos antiepiléticos concomitantes para se conseguir a monoterapia com perampanel.

População pediátrica

A Agência Europeia de Medicamentos diferiu a obrigação de apresentação dos resultados dos estudos com este medicamento em um ou mais subgrupos da população pediátrica em epilepsias refratárias ao tratamento (síndromes de epilepsia relacionadas com a localização e a idade).

Os três estudos de referência de Fase 3, controlados com placebo, com dupla ocultação, incluíram 143 adolescentes com idades entre 12 e 18 anos. Os resultados nestes adolescentes foram semelhantes aos observados na população adulta.

O Estudo 332 incluíu 22 adolescentes entre os 12 e 18 anos de idade. Os resultados nestes adolescentes foram semelhantes aos que foram observados na população adulta.

Efetuou-se um estudo aleatorizado, em dupla ocultação, controlado com placebo, de 19 semanas de duração, com uma fase de extensão sem ocultação (estudo 235) para avaliar os efeitos a curto prazo deste medicamento (intervalo de dose alvo de 8 a 12 mg, uma vez por dia) como terapêutica adjuvante na cognição, em 133 (este medicamento n=85, placebo n=48) doentes adolescentes, com idades entre os 12 anos e menos de 18 anos, com crises epiléticas parciais não adequadamente controladas. A função cognitiva foi avaliada pela pontuação-t global da cognição do sistema de investigação de fármacos cognitivos (Cognitive Drug Research [CDR] System Global Cognition t-Score), que é uma pontuação composta derivada de 5 domínios que testa o Poder de Atenção, a Continuidade da Atenção, a Qualidade da 

Memória Episódica Secundária, a Qualidade da Memória de Trabalho e a Velocidade de Memória. A alteração média (DP) desde o início do estudo até ao fim do tratamento com dupla ocultação (19 semanas) na pontuação-t global da cognição do sistema de CDR foi de 1,1 (7,14) no grupo do placebo e (menos) –1,0 (8,86) no grupo do perampanel, com a diferença entre os grupos de tratamento em médias de mínimos quadrados (IC de 95%) = (menos) -2,2 (-5,2; 0,8). Não houve uma diferença estatisticamente significativa entre os grupos de tratamento (p = 0,145). As pontuações-t globais da cognição do sistema CDR para o placebo e perampanel foram de 41,2 (10,7) e 40,8 (13,0), respetivamente, no início do estudo. Nos doentes com perampanel na extensão sem ocultação (n = 112), a alteração média (DP) desde o início do estudo até ao fim do tratamento sem ocultação (52 semanas) na pontuação-t global da cognição do sistema CDR foi de (menos) -1,0 (9,91). Isto não foi estatisticamente significativo (p = 0,96). Após um máximo de 52 semanas de tratamento com perampanel (n = 114), não se observou qualquer efeito no crescimento ósseo. Não se observaram quaisquer efeitos na altura, peso e desenvolvimento sexual no seguimento de até 104 semanas de tratamento (n = 114).

Propriedades farmacocinéticas

A farmacocinética do perampanel foi estudada em indivíduos adultos saudáveis (intervalo etário de 18 a 79), adultos e adolescentes com crises epiléticas parciais e convulsões tónico-clónicas generalizadas primárias, adultos com doença de Parkinson, adultos com neuropatia diabética, adultos com esclerose múltipla e indivíduos com compromisso da função hepática.

Absorção

O perampanel é prontamente absorvido após administração oral sem evidência de um metabolismo de primeira passagem pronunciado. A coadministração de comprimidos de perampanel com uma refeição com um elevado teor de gordura não teve qualquer impacto na exposição plasmática máxima (Cmax) ou na exposição total (AUC0-inf) do perampanel. A tmax sofreu um atraso de aproximadamente 1 hora em comparação com a que foi observada no estado de jejum.

Distribuição

Os dados de estudos in vitro indicam que o perampanel liga-se, em aproximadamente, 95% às proteínas plasmáticas.

Estudos in vitro indicam que o perampanel não é um substrato nem um inibidor significativo dos polipéptidos transportadores de aniões orgânicos (OATP) 1B1 e 1B3, dos transportadores de aniões orgânicos (OAT) 1, 2, 3 e 4, dos transportadores de catiões orgânicos (OCT) 1, 2 e 3 e dos transportadores de efluxo glicoproteína P e Proteína de Resistência ao Cancro da Mama (BCRP).

Biotransformação

O perampanel é extensivamente metabolizado por oxidação primária e glucuronidação sequencial. O metabolismo do perampanel é mediado primariamente pela CYP3A com base nos resultados de estudos clínicos em indivíduos saudáveis aos quais foi administrado perampanel radiomarcado e apoiados por estudos in vitro utilizando CYP humanas recombinantes e microssomas hepáticos humanos.

Após a administração de perampanel radiomarcado, observaram-se apenas quantidades vestigiais de metabolitos do perampanel no plasma.

Eliminação

Após a administração de uma dose de perampanel radiomarcado a 8 indivíduos adultos ou idosos saudáveis, aproximadamente 30% da radioatividade recuperada foi detetada na urina e 70% nas fezes. Na urina e fezes, a radioatividade recuperada era composta principalmente por uma mistura de metabolitos oxidativos e conjugados. Numa análise farmacocinética populacional de dados agrupados de 19 estudos de Fase 1, a t1/2 média do perampanel foi de 105 horas. Quando administrado em associação com o indutor potente das CYP3A, a carbamazepina, a t1/2 média foi de 25 horas.

Linearidade/não linearidade

Em indivíduos saudáveis, as concentrações plasmáticas do perampanel aumentaram em proporção direta com as doses administradas no intervalo de 2 a 12 mg. Numa análise farmacocinética populacional de doentes com crises epiléticas parciais medicados com perampanel até 12 mg/dia e doentes com convulsões tónico-clónicas generalizadas primárias medicados com perampanel até 8 mg/dia em ensaios clínicos controlados com placebo, observou-se uma relação linear entre a dose e as concentrações plasmáticas de perampanel.

Populações especiais

Compromisso da função hepática

A farmacocinética do perampanel após uma dose única de 1 mg foi avaliada em 12 indivíduos com compromisso ligeiro a moderado da função hepática (Child-Pugh A e B, respetivamente) em comparação com 12 indivíduos saudáveis, demograficamente correspondidos. A depuração aparente média do perampanel não ligado em indivíduos com compromisso ligeiro foi de 188 ml/min vs.

338 ml/min nos controlos correspondidos, e em indivíduos com compromisso moderado foi de
120 ml/min vs. 392 ml/min nos controlos correspondidos. A t1/2 foi mais longa em indivíduos com compromisso ligeiro (306 h vs. 125 h) e com compromisso moderado (295 h vs. 139 h) em comparação com os indivíduos saudáveis correspondidos.

Compromisso da função renal

A farmacocinética do perampanel não foi formalmente avaliada em doentes com compromisso da função renal. O perampanel é eliminado quase exclusivamente por metabolismo seguido de excreção rápida dos metabolitos; observam-se apenas quantidades vestigiais de metabolitos do perampanel no plasma. Numa análise farmacocinética populacional de doentes com crises epiléticas parciais com depurações da creatinina que variavam entre 39 e 160 ml/min e estavam a receber perampanel até
12 mg/dia em ensaios clínicos controlados com placebo, a depuração do perampanel não foi influenciada pela depuração da creatinina. Numa análise da farmacocinética populacional de doentes com convulsões tónico-clónicas generalizadas primárias que estavam a receber perampanel até 8 mg/dia num estudo clínico controlado com placebo, a depuração do perampanel não foi influenciada pela depuração da creatinina inicial.

Sexo

Numa análise farmacocinética populacional de doentes com crises epiléticas parciais medicados com perampanel até 12 mg/dia e doentes com convulsões tónico-clónicas generalizadas primárias medicados com perampanel até 8 mg/dia, em ensaios clínicos controlados com placebo, a depuração do perampanel em indivíduos do sexo feminino (0,54 l/h) foi 18% mais baixa do que em indivíduos do sexo masculino (0,66 l/h).

Idosos (com idade igual ou superior a 65 anos)

Numa análise farmacocinética populacional de doentes com crises epiléticas parciais (intervalo de idades entre os 12 e os 74 anos) e com convulsões tónico-clónicas generalizadas primárias (intervalo de idades entre os 12 e os 58 anos) medicados com perampanel até 8 ou 12 mg/dia em ensaios clínicos controlados com placebo, não se verificaram quaisquer efeitos significativos da idade na depuração do perampanel. Não se considera necessário um ajuste da dose nos idosos.

População pediátrica

Num estudo farmacocinético populacional dos doentes adolescentes agrupados a partir dos estudos clínicos de Fase 2 e 3, não se observaram diferenças dignas de nota entre esta população e a população global.

Estudos sobre interações medicamentosas:

Avaliação in vitro de interações medicamentosas

Inibição de enzimas metabolizadoras de fármacos

Em microssomas hepáticos humanos, o perampanel (30 μmol/l) teve um efeito inibidor fraco sobre a CYP2C8 e a UGT1A9 entre outras CYP e UGT hepáticas importantes.

Indução de enzimas metabolizadoras de fármacos

Em comparação com controlos positivos (incluindo fenobarbital, rifampicina), verificou-se que o perampanel induziu fracamente a CYP2B6 (30 μmol/l) e a CYP3A4/5 (≥3 μmol/l) entre outras CYP e UGT hepáticas importantes em culturas de hepatócitos humanos.

Dados de segurança pré-clínica

As reações adversas não observadas durante os estudos clínicos, mas constatadas nos animais sujeitos a níveis de exposição análogos aos níveis de exposição clínica, e com eventual relevância para a utilização clínica, foram as seguintes:

No estudo de fertilidade em ratos, observaram-se ciclos estrais prolongados e irregulares na dose máxima tolerada (30 mg/kg) em fêmeas; contudo, estas alterações não afetaram a fertilidade e o desenvolvimento embrionário inicial. Não se observaram quaisquer efeitos sobre a fertilidade dos machos.

A excreção no leite materno foi determinada em ratos 10 dias após o parto. Os níveis atingiram valores máximos ao fim de uma hora e foram 3,65 vezes superiores aos níveis no plasma.

Num estudo de toxicidade do desenvolvimento pré e pós-natal em ratos, observaram-se partos e condições de aleitamento anormais em doses tóxicas maternas e o número de nados-mortos aumentou na progenia. O desenvolvimento comportamental e reprodutivo da progenia não foi afetado, mas alguns parâmetros do desenvolvimento físico indicaram algum atraso, que provavelmente é secundário aos efeitos farmacológicos sobre do perampanel o SNC. A passagem placentar foi relativamente baixa; no feto foi detetada 0,09% ou menos da dose administrada.

Os dados não clínicos revelam que o perampanel não foi genotóxico e não teve potencial carcinogénico. A administração de doses máximas toleradas a ratos e macacos resultou em sinais clínicos a nível do SNC com uma base farmacológica e diminuição do peso corporal terminal. Não se observaram alterações diretamente atribuíveis ao perampanel na patologia clínica ou na histopatologia.

Interação Alimentícia do Perampanel

Pode tomar este medicamento com ou sem alimentos mas deve tomá-lo sempre do mesmo modo. Por exemplo, se decidir tomar Fycompa com alimentos, tome-o sempre da mesma forma.



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